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Foto: por Kardo Bestilo

Pacavira escreve sobre as memórias de Abril 

 

Manuel Pedro Pacavira lançou o livro Angola e o Movimento Revolucionário dos Capitães de Abril em Portugal” na Casa 70. O Embaixador de Angola em Itália escreveu esta obra com o objectivo de não deixar esquecer os momentos da guerra pela independência e principalmente para realçar os protagonistas da luta pela liberdade.

 

Rita Pablo

 

O autor revelou ao Factual que “esta é a experiência de alguns capitães de Abril que naquele momento conturbado do país apostaram as suas convicções políticas para uma completa descolonização e um futuro melhor para Angola e Portugal”, para além disso acrescentou ser um contador de estórias e que “estes têm um papel de construir. Como tal, este livro também serve para construir novas relações com Portugal. Por isso, tenho de descrever o 25 de Abril de 1974 principalmente os três meses depois e o papel fundamental daqueles que ficaram aqui e acreditaram na independência de Angola. Procuro mostrar, também, que nesta luta o MPLA não estava sozinho tinha nacionalistas brancos com ele, como o caso de Jorge Pessoa”.

 

Tal como o autor referiu durante o evento, este livro traz os protagonistas ao seu cenário. Assim, o Factual falou com Jorge Pessoa que esteve nas forças armadas angolanas e foi quem anunciou a retirada dos militares portugueses de Angola, pois esta já era independente. “ No dia da revolta dos militares, 15 de Julho de 74, disse que guerra já tinha acabado pois havia já muitas mortes e até enfatizei o facto que se fosse preciso matava-me publicamente se as mortes continuassem. Tomei o forte da PIDE no São Paulo e exigi a prisão dos seus representantes”.

 

A apresentação do livro teve a cargo da Professora Inocência da Mata que realçou a importância deste livro para a História de Angola e para o reviver dos seus momentos chave. De seguida Pedro José Van-dúnem, Ministro dos antigos combatentes e veteranos de Angola referiu que “os livros de Pacavira seguem a mesma linha de conduta e que este se dividia em 4 momentos fundamentais que transparecem os períodos importantes vividos na conquista da liberdade”. Segundo o mesmo, esses momentos são uma análise que ajuda na compreensão da História e dos movimentos necessários até se chegar aos períodos da Independência e a resistência aos colonialistas, não esquecendo o papel proeminente do primeiro Presidente, Agostinho Neto.

 

No lançamento estiveram várias pessoas da sociedade angolana que se destacam nas mais variadas áreas, o ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro “Ngongo, o bispo reformado da Igreja Metodista Unida, Emílio de Carvalho, vários ex-combatentes  e personalidades do corpo diplomático acreditado em Angola, a viúva do primeiro Presidente, Eugénia Neto, a professora Maria do Carmo Medina, entre outras figuras de realce.

 

De relembrar que Manuel Pedro Pacavira é autor de várias obras como: “Gentes do Mato”, “Boneca”, “Nzinga Mbandi”, “Ndalatando em Chamas”, “O 4 de Fevereiro pelos Próprios” e “JES, Uma Vida em Prol da Pátria”.

 

 

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Contribuição em alusão às festividades que marcam o mês do fundador da nação angolana, Agostinho Neto.

 

Variados manuscritos originais da poesia de Agostinho Neto encontraram-se escritos em embalagens de maços de cigarros. Escritas nas noites frias de Aljube, Porto e Ponta do Sol, ao sabor do degredo, nas mãos implacáveis do inimigo, pagando o preço alto das posições assumidas.

 

 

Um político firme e resoluto

Em 1950, Neto conhece pela primeira vez a prisão, aquando da recolha de assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo, ficando encarcerado durante três meses. Sete anos mais tarde (sempre empenhado nas clandestinas frentes de resistência contra o colonialismo português, junto de outros contemporâneos seus na Fundação do Centro de Estudos Africanos, e na Fundação do Clube Marítimo Africano, um ano depois do primeiro), 1957, depois de várias prisões, uma petição internacional circula nos meios intelectuais a pedir a sua libertação, num documento assinado pelos prestigiados Jean-Paul Sartre, François Mauriac, e o poeta cubano Nicolás Guillén.

 

Médico, político, estadista, poeta, guerrilheiro. Desde muito jovem, Agostinho Neto sabia que era necessária união dos povos e a determinação dos homens nas trincheiras para se acabar com o colonialismo secular que escravizava os angolanos. E foi com esta percepção que se empenhou na luta dos povos, com coragem, firmeza e determinação ao longo da sua actividade política. De Kaxicane a Lisboa, passando por Luanda, Malange, Bié, Coimbra e Porto, evocam-se os primeiros passos do percurso geográfico, político e sentimental de António Agostinho Neto, um homem que desde muito cedo evidenciou saber o que pretendia e qual o papel que a História lhe reservava.  

 

        

Um Poeta visionário e homem de cultura

 

Sobre o contexto político e cultural da poesia de Agostinho Neto, o ensaísta Patrick Chabal aborda “quando Neto deixou Angola, participava já de um movimento cultural e intelectual que via a necessidade do regresso às raízes dos africanos aculturados, através das várias formas de expressão artística ao seu dispor. Embora a poesia fosse o meio dominante, a música e o teatro, assim, como o conto e o ensaio foram utilizados por aqueles que utilizaram a Mensagem e, mais tarde, por aqueles que foram os responsáveis pelo relançamento de Cultura ( ІІ ). O conteúdo de um e de outro revelam claramente que as preocupações desta geração de intelectuais angolanos eram semelhantes eram semelhantes as preocupações dos seus congéneres nos outros países africanos, ou seja, revela a necessidade de criação de uma literatura nacional baseada em material africano e expressa numa voz africana”.

 

E é justamente nestes quadrantes que a poesia de Neto ocupa lugar distinto, como maneira de reclamar o seu lugar, primeiro no seio da negritude onde encontra a sua esfera rítmica e identitária superlativa, segundo no seio da humanidade branca como instrumento de reencontro entre os homens, como quem usa da transversalidade cultural para abolir o racismo e cantar com os povos “a voz igual”. “Do caos para o reinício do mundo / para o começo progressivo da vida / e entrar no concerto harmonioso do universal / digno e livre / povo independente com voz igual / a partir deste amanhecer vital sobre a nossa esperança”. Cânticos de mágoas e ao mesmo tempo de alegria. Poemas de partida ao mesmo tempo de chegada. Contudo são também universais e de uma forma tão inelutáveis como a semente está ligada à flor, a arvore ao fruto, o poeta ao poema.

 

Variados manuscritos originais da poesia de Agostinho Neto encontraram-se escritos em embalagens de maços de cigarros. Escritos nas noites frias de Aljube, Porto e Ponta do Sol, ao sabor do degredo, nas mãos implacáveis do inimigo, pagando o preço alto das posições assumidas.

 

Papelo.folha8@hotmail.com

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Agualusa Estala o Verniz

João Papelo 

 

 

“A mim impressiona-me nos inquéritos as pessoas indicarem como escritores preferidos escritores angolanos. Pode fazer muito bem ao nosso ego, mas a verdade é que a nossa literatura é incipiente, quem realmente gosta de ler vai indicar escritores de outros países com obra feita. Uma pessoa que ache que Agostinho Neto, por exemplo, foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre. O mesmo se pode dizer de António Cardoso e António Jacinto…”.

 

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José Eduardo Agualusa, para além de ser um escritor angolano muito conhecido no mercado estrangeiro e entre os PALOP, é também um distinto intelectual, um homem de muita sensibilidade artística e com um arsenal de conhecimento sobre literatura invejável. É, o Agualusa, um homem viajado, muito bem informado, dono de um português vernacular. Escreveu quinze livros, entre contos e romances. Experimentou a vida de nómada, vivendo entre os três continentes, América, Europa e o Berço da Humanidade. Viu a Ásia moderna, conhece um pouco o Japão. Os alemães ofereceram-lhe Bolsa de Criação Literária. No velho continente (Europa), conquistou a simpatia dos seus correligionários de um complexo de superioridade desmedido. Mas também amadureceu o intelecto. É um homem, digamos, globalizado, quiçá na íntegra.

 

No nosso planalto central, aprendeu as primeiras letras do alfabeto português, lá ficou o seu cordão umbilical. Não viveu os tormentos da guerra civil que varreu o Huambo no pós-eleição de Setembro de 1992. É um filho do Huambo que faz sucesso no estrangeiro. Hoje é juiz de prémios literários como o Camões e tantos outros. Alterna quinzenalmente com escritor Reis Muongo a assinatura de uma crónica no Jornal A Capital, em Luanda.

 

Sem escrúpulo, Àgualusa tem o direito de se pronunciar como bem entender com respeito a escritores angolanos. Em abono da verdade, o agrónomo disse umas boas verdades sobre os nossos escritores na entrevista concedida ao Jornal Angolense na sua edição nº474. Mas foi longe demais ao atacar grandes figuras emblemáticas da literatura nacional, nomeadamente: António Cardoso, Agostinho Neto e António Jacinto. Para o Agualusa, Agostinho Neto “é um poeta medíocre”, todos outros poetas angolanos são de qualidade questionável, noutros termos: “são incipientes”. E mais: todos os leitores que se simpatizam com a poesia dos signatários, “não entendem nada de poesia” rematou sem medo de errar.

 

Convicto das suas asserções, o agrónomo chocou muitas sensibilidades e esqueceu-se de ser um pouco “analista tecnocrata” como foram os outros que escreveram ensaios sobre Agostinho Neto, nomeadamente São Vicente, Luís Kandjimbo, Jofre Rocha, António Panguila e até estrangeiros: Abdala Júnior (do Brasil); Maria Ribeiro ( ensaísta Zimbabueana); Cristina Pacheco (ensaísta portuguesa); Russel Hamilton (da Inglaterra); Pierrer Chalendar (ensaísta francês); Janeth Carter ( ensaísta sul africana); José Fontnela (da Espanha); Bruno Oupoh (da República da Costa do Marfim) e muitos, muitos outros que não cabem neste espaço. Gente intelectual, uns são diplomatas de carreira, outros são escritores, outros ainda são críticos de arte e literatura (desculpem o pleonasmo). Agualusa por outras palavras chamou a estas pessoas de incompetentes. Chamou a estas pessoas de pseudo-intelectuais. Parece que José Eduardo Agualusa está armado até aos dentes e atira contra tudo e todos. Três nomes importantes que ele referenciou já não fazem parte do mundo dos vivos. Portanto não podem defender-se da ofensiva “Agualusiana”. Mas estão aí os ensaios, a opinião dos leitores, as críticas construtiva e os próprios poemas como defesa dos “ofendidos”. O poeta responde:

 

Atirai-me como beijos de judas                     

Como setas cruéis e vingativas

E dilacerai meu coração:

Não és tu, não és tu, não és tu

 

Eu, então, mudo de dor,

Como uma estátua de granito

Responderei calado a esse grito

 

Sou eu!

 

(António Cardoso in Poemas de Circunstâncias)

 

António Cardoso é António Cardoso em qualquer época, ainda que Agualusa não concorde. Um poeta que se distingue pela beleza e estética do seu verso ( o título/extracto do poema transcrito numa única estrofe é “Egocentrismo”) . Agora Agostinho Neto Responde:

 

Sou um mistério.

 

Vivo as mil mortes

que todos os dias

morro

fatalmente.   

 

(Agostinho Neto in Renúncia Impossível)

 

Ou o Agualusa quer recomeçar uma nova consciencialização à sua maneira ateando fogo sobre os grandes heróis da nossa poesia? (O título do poema de onde se extraiu a estrofe é “Eu-mistério”). O agrónomo falou muito em Leopold Sengor do Senegal, se não estou induzido em erro, e de Fernando Pessoa. Ou o Agualusa pretende fazer apelo às várias formas poéticas fixas que caíram em desuso, enterrada nos arcaísmos? Neto continua e desvenda o enigma de quem ele é:

 

Sou um dia em noite escura

Sou uma expressão de saudade

 

(Agostinho Neto in Sagrada Esperança)

 

Estrofe do poema “Sombras”. A poesia de Neto é nosso património, somos nós que a sentimos da nossa maneira. O mesmo falo de António Cardoso e António Jacinto. Mas literatura é mesmo assim, é diversidade, é polémica, é diversão. Agualusa veio lançar um balde de água fria no nosso meio artístico e suscitar outras abordagens respeitantes a criatividade dos escritores Angolanos. Apesar de ter sido bastante radical no tema, disparando contra todas as direcções.

 

Por outro lado, não é a poesia uma manifestação artística subjectiva de interpretação personificada e individualista, portanto não subjugada a uma leitura unívoca ou uniformizante, nem sempre susceptível a um interpretação lógica e/ou literal??? Afinal em que critério se baseia o agrónomo para fazer tal juízo do mais velho “Kilamba”??? Agualusa precisa preparar um trabalho melhor elaborado para refutar todos os ensaístas que escreveram sobre Neto. Agualusa poderá, baseado no que ele entende de poesia, ensinar-nos então o caminho certo???

 

Ninguém precisa irritar-se com o autor de “As Mulheres do Meu Pai”. Na literatura é normal a polémica. Quem não está preparado para o debate, então pode abandonar o círculo. Do que disse Agualusa 50% é positivo e um bom ingrediente para se debater; outros 50% é puramente falta de consideração e complexo de superioridade.

 

Voltemos a Agostinho Neto (Neto foi a capa da publicação do semanário), gostaria de transcrever aqui o que alguns ensaístas escreveram. Fá-lo-emos numa próxima oportunidade. Entretanto parece que Agualusa não entende a poesia no espírito, entende só na letra. Na interpretação “Agualusiana” a letra e o espírito do texto poético são elementos dissociáveis, dando ele primazia a letra em detrimento do espírito. Podando ele, entenda-se, Agualusa, a seu critério a beleza da estética e da sonoridade em nome da “tão sagrada rima”. Subestimando ele a introspecção dos ensaístas assumindo-se como um crítico superlativo. Supostamente, apelando ele os arcaísmos de poética fixa em detrimento da liberdade e criatividades.

 

Até à próxima

Lançamento e Recital memorável  no dia Internacional da Mulher

 

O Movimento artístico Lev’Arte, a União dos Escritores Angolanos – UEA e a Brigada Jovem de Literatura de Angola – BJLA, promoveram um dos maiores eventos de lançamento de livro e recital jamais visto no país. Cerca de oitocentos e cinquenta pessoas de várias faixas etária compareceram no passado dia 08 de Março, dia internacional da Mulher, na sede da UEA. O referido evento marcou o lançamento do livro “Avó Sabalo I” da escritora Kanguimbu Ananáz e a 10ª edição de Poesia à Volta da Fogueira, um evento que acontece todo o segundo sábado de cada mês, resultado de uma parceria entrea o Lev’Arte e a UEA.

 

Foi um dia memorável para todos os convidados ao evento que se mostraram visivelmente satisfeitos com o evento apresentado por Kardo Bestilo,  no seu modo carismático elevando a plateia ao delírio. O recital de poemas, a música ao vivo bem como o teatro marcaram presença para saudar a efeméride.

 

A mídia se fez presente com uma grande representação, captando todo o evento. Os caçadores de notícias se fartaram com a quantidade de personalidades presentes no evento, escritores consagrados, músicos, representantes da sociedade civíl e membros de partidos políticos deslocaram-se ao recinto da UEA para emprestarem seu calor.

 

Foi deveras salutar e estimulante  a movimentação artística no referido evento que suscitou várias reações da parte dos convidados. Chissola Rego, disse o seguinte:  “A noite na União dos Escritores Angolanos foi sensacional. Ùnica. Fui com o meu esposo e divertimo-nos imenso. Comprei dois livros , li-o e achei muito interessante . A partir desta data sempre que puder vou assistir as sessões do Grupo Lev'Arte. Já fui informada que serão no Centro Cultural Português as Quintas e no segundo sábado de cada mês na União dos Escritores Angolanos”.

 

A escritora Kanguimbu Ananáz, depois de seis anos sem publicar, mostrou-se feliz com o evento. Disse que o apoio dos jovens foi uma grande hand  para o sucesso e agradeceu em nome de Deus. Cansada depois de assinar cerca de uma centena de livros, disse ainda que continuou a receber pessoas em casa que não puderam comparecer ao evento, para assinar autógrafos.

 

A organização do evento regozijou-se com o acto pois superou as expectativas. Kardo Bestilo, membro do Lev’Arte, disse em jeito de balanço , “Nós estamos mesmo de parabéns! Foi um alvo superado em 210%. Depois do Lançamento do livro Controverso de Kardo Bestilo, onde o Lev´Arte concentrou 560 pessoas para assistir ao acto. O Lev´Arte, com o envolvimento da U.E.A e BJL conseguiram juntar 839 pessoas para assistir ao Lançamento do livro Avô Sabalo de Kanguimbu Ananáz e ao evento de Poesia à volta da Fogueira no sábado dia internacional da mulher. De lembrar que a nossa meta era juntar 400 pessoas para o evento o que aos olhos de muitos pareceia impossível”.

 

Aguardamos então anciosos a 11ª edição da Poesia à Volta da Fogueira. Força Lev’Arte e seus parceiros ao serviço da cultura nacional. À todas mulheres de Angola, um Feliz Março Mulher.

 

 

Nguimba Ngola

nguimbangola@gmail.com

11 de Março de 2008

 

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Convite

 

A Livraria Nobel tem o prazer de o/a convidar para o lançamento do livro O Fazedor de Utopias Uma Biografia de Amílcar Cabral, de António Tomás, apresentado por José Eduardo Agualusa, sábado, dia 15 de Março, às 10h30,na sala de cinemas do Belas Shopping.

A sessão de autógrafos terá lugar de seguida, na Livraria Nobel, Loja 151, Belas Shopping.
 
Em anexo pode-se visualizar a imagem do livro.
Contribua para o habito de leitura, leve amigos, esposas, namoradas e crianças.

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